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O Menino da Internet: A História de Aaron Swartz

O Menino da Internet: A História de Aaron Swartz (The Internet’s Own Boy: The Story of Aaron Swartz) é um documentário, como o nome já diz, que trata da vida de Aaron Swartz. Mas vai um pouco além, a narrativa aproveita a história de Aaron para tratar também de outros assuntos, como a fragilidade dos sistemas judiciários e democráticos.

É um retrato feliz e infeliz desse período em que vivemos.

As lentes nos levam a conhecer quem foi Arron Swartz. Um garoto que desde sua infância era curioso, inteligente e criativo. Swartz fez parte do grupo que ajudou a construir o RSS e o Reeddit. Ele tinha um sonho no qual acreditava que todos nós deveríamos ter a informação de forma gratuita.

O documentário é de certa maneira dividido em duas partes, a primeira em contar quem é Aaron Swartz e a segunda envolvendo o processo legal.

O filme segue uma narrativa cronológica, mas positivamente construída por meio de recortes o que nos permite ver e apreciar os diferentes projetos e investidas de Aaron, ao mesmo tempo que entendemos como se deu o seu polêmico processo. Esses retalhos vão mostrando e construindo uma Aaron à medida que a narrativa avança e percebemos que não se trata apenas de um discurso vazio.

Talvez uma das maiores contribuições de seu legado não esteja vinculado a tecnologia em si, mas no direito de podermos usarmos livremente a internet e as informações contidas nela e as consequências disso em sua vida.

A experiência de Aaron Swartz no mundo corporativo

Em determinado momento, Aaron recebe um convite para trabalhar em uma corporação, mas após algum tempo na empresa ele pede demissão. Percebe que não quer trabalhar para uma multinacional ganhando um bom salário e benefícios por isso. Nesse momento ele já tinha dinheiro suficiente para se sustentar e acreditar que deveria fazer algo maior.

É bem significativo esse acontecimento, pois é um rompimento com um série de valores aceitos e uma escolha difícil. Aprendemos que um cidadão de bem é aquele casado, com casa própria, carro e um trabalho respeitável.

Aaron Swartz não rompe com esses valores sociais, mas ele não se deixar levar essa névoa do que seria o certo. É a partir daí, dessa ousadia e coragem em que ao mesmo tempo, em que Aaron sem associa a grandes nomes da tecnologia, como Bill Gates e Steve Jobs ele também se distância.

Seu desejo não é de criar produtos inovadores para resolver um ou outro problema das pessoas ou da sociedade, mas contribuir para criar uma nova sociedade.

Esse é o tipo de pessoa que o documentário nos apresenta. Um Aaron com coragem e muita ousadia. Alguém que via oportunidades, mas mais do que oportunidades um caminho para que as coisas aconteçam de maneira diferente.

Um convite a refletir sobre nossas instituições

Aaron Swartz
Foto de Noah Berger

Nesses retalhos vamos descobrindo e percebendo como cada vez mais ele se tornava um ativista em prol da internet. Nada de terrorista.

Uso a palavra (ativista) com muita cautela, pois as palavras ativista ou manifestante, desde as manifestações de 2013, tem recebido uma conotação mais pejorativa do que realmente são. E não raro associamos aqui (Brasil) ou nos EUA essas palavras a um ato terrorista. Como se lutar pelos nossos direitos fosse um crime.

Esse é um outro aspecto do documentário: nos leva a refletir sobre as instituições e os valores de nossa sociedade.

A democracia é defendida por muitos como um conceito que se perdeu. O que vivemos hoje, esta muito além do que deveria ser e quando alguém se opõem, o próprio sistema se encarrega de mostrar que essa pessoa é criminosa e trata de excluí-la. Ao longo do documentário, esses conceitos são construídos e nos fazem um convite a reflexão. Reflexões que foram muito bem trabalhadas e explicadas em outros documentários, como Requiem for the American Dream.

Trata-se de documentários americanos, mas mesmo no Brasil podemos perceber as mesmas consequências dessas instituições cada vez mais corrompidas.

E essa discussão ganha mais força, quando um processo contra Aaron é instaurado.

O processo contra Aaron Swartz

Aaron é flagrado ao fazer download de artigos científicos do MIT e a partir daí, o FBI passa a construir um caso contra ele. Nesse ponto, por mais isento que eu tentei, já estava demais envolvido na narrativa e o que se segue é uma série de acontecimentos que fazem com que, no mínimo, se questione o processo instaurado.

Percebemos por exemplo, como nossas leis são modificadas ou interpretadas ao benefícios de alguns e, inocentemente a maioria de nós acha que as coisas vão melhorar. Até determinado ponto Aaron é essa chama de esperança, mas ela vai se apagando.

A possibilidade de ver seus sonhos destruídos. Há pessoas que conseguem viver sem os seus sonhos, mas para o menino da internet isso não era uma possibilidade.

O sofrimento ocasionado por essa possibilidade fazem com que a depressão passe a ganhar força em sua vida. Uma depressão causada não pela ausência da família ou de amigos, mas pela dor de ver eles sofrendo por isso também.

Para finalizar

Por meio da história de Aaron, aprendemos sobre a sua infância, sua genialidade. Sobre sua vontade em ajudar o mundo, ao colocar sua inteligência favor dos outros. Mas também vamos refletindo sobre muito dos problemas de nossa épocas. Problemas sociais, democráticos, econômicos e legais. Uma frase do filme resume bem isso: “Estamos vivendo uma época em que grandes injustiças não sofrem consequências”

Ao terminar de assistir ao documentário, eu me senti triste como se nada valesse a pena, porque fiquei com esse sentimento de injustiça no ar, com um questionamento em entender por que é tão difícil fazer o mundo um lugar mais justo.

Porém, essa tristeza foi dando lugar para um outro sentimento, o da esperança. Ao decorrer de mais de 100 minutos assistimos um retrato da história recente da internet. Na qual, Aaron faz parte ativamente, usando seu potencial para realmente tornar o mundo um lugar melhor.

O Menino da Internet: A História de Aaron Swartz é um documentário inspirador para pensarmos em como podemos contribuir para cuidar e melhorar o mundo em que vivemos.

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Mais dicas do que levar para o Caminho de Santiago

Em um outro post escrevi sobre o que levar para o Caminho de Santiago. Este texto é uma continuação dele, com dicas para escolher o seu equipamento.  O que vai encontrar aqui são dicas que dizem respeito a alguns itens específicos e algumas dicas no momento da escolha. O texto esta dividido nas seguintes partes:

  • Dicas para escolha dos calçados
  • Dicas sobre a mochila ideal
  • Dicas para escolha do casaco
  • Dicas para o saco de dormir

A escolha dos calçados

Dicas de calçados para o Caminho de Santiago
Andrew Neel

Uma das frequentes preocupações de quem decidiu fazer o Caminho de Santiago é saber com que calçado ir. Não há um tipo em específico. É possível percorrer a jornada de tênis, bota ou sandalhas.

Mas independente do tipo de calçado que for de sua preferência, escolha um bom par de calçados para caminhar você. O melhor calçado não significa o mais caro, mas sim aquele no qual terá conforto ao andar.

Encare a escolha do calçado como um item de segurança e de saúde para os seus pés. Um calçado de qualidade diminui as chances de ter bolhas, torções e calos. Lembre-se que ele será o seu meio de transporte durante a jornada.

Se o calçado for novo, prepare-o bem antes de ir. Faça algumas caminhadas com eles para você se acostumar e para vocês se prepararem a andar juntos.

Embora, tenha muitos blogs e fóruns que aconselhem usar botas para o percurso essa não é a regra. O caminho não é uma trilha. Tem gente que percorreu os 800km do Caminho de Santiago com tênis numa boa. Inclusive pessoas que trocaram as botas por tênis, por acharem mais confortáveis no meio da jornada.

Eu percorri com uma bota. Foi uma decisão pessoal, pois eu queria um calçado com um cano médio que protegesse os calcanhares e evitasse torções. Tive uma boa experiência com elas e não me arrependo, mas talvez hoje procuraria um modelo com um melhor amortecimento.

Um fator a se considerar antes de escolher o calçado é saber em que época do ano será feito o caminho. No inverno, é mais recomendável ir com calçados fechados, já no verão a preferência é por calçados que permitam os pés “respirarem” melhor para evitar bolhas e fungos.

Outro ponto de atenção é sobre o tamanho. Há quem diga que é melhor comprar um número maior. Eu não recomendo, pois isso pode ocasionar uma torção dependendo do caminho. O calçado deve estar confortável, nem justo(apertado) nem largo demais. Os pés podem inchar um pouco sim, mas não compre um número maior. A dica é que os dedos não fiquem colados no bico do calçado.

Ah, coloque também na mochila um par de sandálias ou chinelos para quando você chegar nos albergues. Você vai deixar os seus companheiros (os calçados) descansando enquanto e você também descansa. Leve sandálias ou chinelos em que possa tomar o banho come eles, assim também evita de o contato direto com o piso e com possíveis fungos.

Em relação as bolhas, Uma dica para evita-las é usar meias de lã. Se não tiver use duas meias uma fina e outra grossa. Fiz uso das duas técnicas e pra mim deu muito certo. Só o primeiro dia tive bolha e foi por que fique mais de 12h na chuva.

Dicas para escolha da Mochila

Dicas para escolha da Mochila
Lukas Robertson

Para ter o que levar para o caminho de Santiago você vai precisar de uma mochila. Uma que de conta do recado. Não precisa ser um mochila alemã toda sofisticada, mas se quiser vá em frente.

A minha mochila não saiu cara. Acho que era um dos modelos mais baratos que tinha. Para mim é o tamanho quase ideal, 45l. Eu queria um pouco menor, mas ela deu conta do recado. Fiquei 3 meses com ela, sendo toda a minha casa. Além de colocar tudo o que eu precisava, também podia leva-la como bagagem de mão.

Na hora de procurar por uma mochila para viajar, busco uma que atenda a alguns critérios:

  • Uma mochila precisar ter bolsos externos, no mínimo dois. Há coisas que quero ter um fácil acesso como dinheiro, mapa, água ou a máquina fotográfica. Ter bolsos externos facilitando muito o acesso a esses itens.
  • A mochila precisa ser confortável. Experimentar antes de comprar é algo que faço. Eu preciso me sentir confortável ao caminhar com ela. ela antes, encontre uma que combine com você, com as tuas costas.
  • Algo que também ajuda muito no conforto e na divisão do peso são aquelas tiras para para prender no peito e na barriga. Parece besteira, mas essas tiras realmente fazem diferença. Preste atenção no material, para ver se são resistentes para evitar que estraguem com facilidade.
  • Um outro item que busco em uma mochila é uma capa externa para dias chuvosos. Se o material for impermeável melhor. O que menos quero depois de um dia de chuva, é perceber que todas as minhas roupas estão molhadas.

A jaqueta certa para a ocasião certa

dicas-para-escolha-jaqueta
Daniel Bowman

A grossura do casaco/jaqueta vai depender da época do ano e das temperaturas que você vai enfrentar. O que tenho feito é usar uma jaqueta de duas estações. Uma que possa te proteger de vento e do frio ou das chuvas.

Uma das minhas primeiras jaquetas era em camadas. A externa fazia justamente o trabalho de proteger da chuva e do vento. Enquanto, que internamente ela tinha uma outra camada para o frio. Quando a grana esta curta, procuro uma que possa me proteger contra o vendo e para me proteger do frio, uso uma segunda pele por dentro.

Há muitas jaquetas. As marcas que vem a minha mente são as da Patagonia, Columbia e da North Face. Mas não posso dizer nada sobre a qualidade, pois nunca usei nenhum desses modelos. E ir em uma loja para experimenta-las é fundamental.

Cuido muito a questão do tamanho, pois talvez tenha que levar na mochila. E a ideia de ter uma roupa que ocupa metade do espaço não me agrada, por isso a ideia de me vestir em camadas me parece interessante. Posso dividir os valores e não sobrecarregar o meu peso e o orçamento.

A dica de bolsos é válida aqui também. Eu gosto da sensação de não precisar carregar nada na mão. Quanto mais bolsos tiver melhor.

Dicas Saco de dormir

O saco de dormir ideal
Ivana Cajina

Até onde me lembro, o saco de dormir em muitos albergues ao longo do Caminha de Santiago é obrigatório. Em muitos deles, não há então essa é a sua roupa de cama. Além de te proteger do frio ele também é mais higiênico.

Há duas coisas importantes para observar na hora de adquirir um saco de dormir: a proteção contra o frio e o peso.

Os modelos menores custarão um pouco mais caro, mas em compensação serão mais leves. E menos meso em sua caminhada lhe permitirá mais conforto para apreciar as paisagens e sua jornada.

A época do ano novamente influencia. Há sacos de dormir que lhe protegem do frio inclusive a temperaturas negativas. O saco de dormir é um item que não tem como testar, a menos que você tenha um amigo que possa lhe emprestar. Mesmo assim, é uma boa ir até uma loja especializada e olhar os modelos de perto.

Antes de comprar

Considere esses pontos e pesquise em sites, converse com vendedores e outras pessoas que fizeram o caminho. Se possível, vá até uma loja para experimentar diferentes modelos antes de tomar a decisão. Há uma variedade enorme de marcas e modelos de diferentes, de diferentes preços.

Lembre-se que preço e marcas não necessariamente qualidade. Há marcas famosas que machucam os pés e tem uns menos conhecidos e mais baratos que dão conta do recado. O segredo é escolher aquele em você sinta o conforto e tenha a ver com seu estilo.

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Minimalismo: um documentário sobre as coisas importantes

Já faz algum tempo que me interesso pelo minimalismo e embora, eu conhecesse o blog The Minimalists, de Joshua Fields Millburn & Ryan Nicodemus, eu desconhecia o documentário que eles tinha feito a respeito. No blog, Josh e Ryan compartilham suas jornadas no mundo no minimalismo e oferecem dicas em como incluir essa maneira de ver a vida. O documentário a jornada é outra.

O filme acompanha Joshua e Ryan no lançamento de um de seus livros. E nessa viagem somos levados a uma outra jornada, onde os dois e outras pessoas contam como estão vivendo com menos. Por meio dessas histórias vamos entendendo um pouco do que é o minimalismo. A perspectiva do documentário é deles e embora tenha inspire muitas reflexões, ainda carece de um pouco de crítica sobre o que é o minimalismo.

A história por trás do minimalismo

A história das pessoas que aparecem na tela tem algo em comum. Alguém é bem sucedido financeiramente, mas vive desanimado e triste, sente a vida sufocada, sem propósito. Essa pessoa tem vontade de mudar de emprego, mas não pode pois tem muitas contas para pagar. Ao refletir, ela percebe que trabalha basicamente para pagar as contas. Contas criadas para aliviar a tensão em relação ao trabalho. E um dia percebem que podem mudar suas vidas e viver com menos.

De um modo geral o minimalismo trata de ideias para de termos uma vida mais simples, com apenas aquilo que precisamos, consumindo apenas o necessário. Não se trata de ser contra ao consumismo, mas sim de ter um consumo mais consciente. De ser mais feliz com o que se tem.

Dinheiro x felicidade

Poder ser uma outra maneira de dizer que dinheiro não é importante, que dinheiro não traz felicidade, mas neste caso é. A questão dinheiro x felicidade é levantada. A grosso modo os ricos dizem que dinheiro não traz felicidade, os pobres dizem que sim.

A psicologia social vem estudando a relação de dinheiro e felicidade e até o momento e aponta que tanto pobres quanto ricos estão certos. Na sociedade atual (ou pelo menos na americana) é necessário ter uma certa quantia para vivermos satisfeitos, para garantirmos o mínimo, mas acima de determinado valor não há diferença.

Em números isso quer dizer que se uma pessoa ganha 500 mil reais por mês e passa a ganhar 2 milhões, ela não ficará mais feliz ou infeliz por causa do dinheiro.

O documentário trata da perspectiva das pessoas que já tem o mínimo, ou melhor que já tem mais do que o mínimo. E isso traz problemas para elas. Um dos exemplos apresentados, e o que acontece com muitas pessoas que buscam o minimalismo, é que elas passam a consumir mais para tentar alcançar a felicidade. Muitas chegam a ter um comportamento parecido com viciados.

Os perigos do consumismo

Essas pessoas não podem ver o lançamento de um novo celular, de uma marca x, que antes que as vendas comecem já encomendaram o produto. E no ano que vem, o processo será o mesmo. Se a pessoa for viciada em roupas, a história sem complica pois na industria da moda que era conhecida por ter quatro lançamentos por ano, agora tem 52.

“Eles querem que você acredite que você precisa dessas coisas”

O minimalismo tenta romper com esse círculo refletindo no que se compra e por que se compra determinando produto ou serviço. É um consumo mais consciente, de comprar o que realmente é necessário ou de algo que realmente vá agregar valor para a sua vida.

E essa maneira é diferente do que vendido como a ideia do sonho americano. Nessa perspectiva, os Estados Unidos é visto com a terra da oportunidade. Nela, o americano acredita que com trabalhando duro ele irá prosperar. E prosperar significa ter uma casa grande, um carro e um monte de coisas. Quanto mais melhor.

Minimalismo - casas pequenasA aquisição de uma casa é um bom exemplo. Alguém procura uma casa no valor de U$ 500.000 pois esse é o valor disponível para compra-lá. Porém, esse valor não existe o que existe é uma hipoteca nesse valor, que será paga ao passar dos anos.

O minimalismo questiona o porquê disso. Por que adquirir uma divida ao comprar uma casa enorme? Ao questionar essa compra, o documentário aborda a questão de casas grandes e novas soluções de casas menores, nas quais os espaços são melhores aproveitados. É possível viver com menos e ser feliz.

A felicidade é um ponto recorrente no documentário. Em nosso tempo, acreditamos que podemos fazer o que quisermos e podemos. O problema é em muitos casos sacrificamos o que é mais importante em nossas vidas. O minimalismo seria um caminho para repensarmos se os sacrifícios que fazemos em nome do trabalho e do consumo valem a pena, se isso nos traz felicidade.

Experiência pessoal

Com tantos insights, lembrei de uma viagem na qual percorri o Caminho de Santiago. Os valores levantados ao longo do documentário eram questões que tive na prática. Digamos que vivi o minimalismo por 30 dias.

O dinheiro era mínimo, mas tinha comida, não tinha smartphone, pouquíssima roupas, apenas o essencial. Eu não sacrificava nada, apenas vivia com o que tinha e isso foi gratificante, pois com o passar dos dias eu focava cada vez mais no que era importante que naquele momento era: o caminho, as pessoas e a escrita.

Minimalismo não é uma filosofia, mas para mim serviu e acabou se tornando parte da minha filosofia de vida, na qual eu desconhecia o nome. Eu gosto das ideias por trás do minimalismo, mas há um ponto que me me incomoda e esperava que o documentário fosse mais crítico em relação a isso: o minimalismo nem sempre é uma opção.

Na minha pequena experiência eu tinha um objetivo (o caminho), um propósito (escrever) e um cuidado com o outro (as pessoas). Nós nos ajudávamos para que todos tivessem o melhor caminho possível. Esse cuidado com o outro, com um pensamento menos individualista é o que me incomoda na abordagem com que o minimalismo foi tratado na narrativa.

Para finalizar…

A abordagem do filme é da perspectiva da classe média americana frustada que tem o luxo de poder fazer essas escolhas. Não tiro mérito do minimalismo, mas o documentário poderia refletir qual é o lugar do minimalismo diante da pobreza do mundo.

Em outras palavras, o minimalismo é um bom caminho para refletir sobre o que consumismo. Porém,  é uma abordagem individualista a qual trata o consumo consciente para aqueles que tem dinheiro e não os reais problemas do consumismo.

Se você busca propósito em sua vida? Quer mais felicidade, recomendo assistir ao documentário. No mínimo, terá boas inspirações para pensar em sua própria vida e buscar e construir o seu caminho. O documentário tem o mérito de apresentar questionamentos interessantes sobre como consumimos e sobre o que nos feliz, ou o que realmente para em nossas vidas para sermos felizes.

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O que levar para o caminho de Santiago?

O que levar para o Caminho de Santiago? Foi a pergunta que uma amiga me fez há algumas semanas. Essa é uma questão recorrente quando estamos planejando a nossa jornada pelo caminho. Neste post reuni algumas dicas para lhe ajudar nesse processo.

A escolha do que levar para o Caminho de Santiago é totalmente pessoal, influenciada pelo seu estilo e outros fatores. Alguns deles como percurso escolhido, tempo disponível e a época do ano serão tratados mais adiante.

Para começar, se tivesse que dar apenas uma dica para você montar a sua mochila seria esta: leve o menos possível.

As dicas reunidas aqui são baseadas em algumas leituras, mas principalmente em minha experiência. Algumas talvez lhe ajudem, outras não.

Fatores que influenciam a mochila

O percurso

O meu percurso escolhido foi a rota conhecida como o Caminho Francês. É o mais conhecido com uma distância de 800 quilômetros, que começa em em Saint Jean Pied de Port, na França e termina com a chegada em Santiago de Compostela, na França.

A duração do percurso

O duração do percurso depende principalmente de quanto tempo disponível você tem. Eu fiz a caminhada em 30 dias, mas poderia ter feito em menos dias ou mais. Também poderia ter começado em outras cidades com Pamplona, Burgos ou Leon por exemplo. Para receber o certificado de conclusão é necessário ter percorrido no mínimo 100km a pé, mas para desfrutar da experiência não há regras.

Eu tinha a disponibilidade de 30 dias então fiz todo o percurso, mas se você não tem seja flexível. Tente começar em uma cidade mais próxima de Santiago, por exemplo, mas não deixe de viver essa experiência.

A época do ano

Quando fiz o caminho era final de outubro, no meio do outono e foi fantástico. Tinha pouca gente, mas o suficiente para viver ótimos momentos e ainda com a maioria dos albergues ainda estavam abertos. Durante a caminhada tive a sorte de desfrutar de climas diferentes. Peguei muita chuva, dias de frio, inclusive com neve, mas a maioria eram dias com um lindo sol.

O peso da mochila

O levar para o Caminho de Santiago.
Jorge Luis Ojeda Flota

Uma das recomendações é que o peso da sua mochila seja entre 7 e 10kg, a outra é que se leve no máximo 10% do peso de seu corpo. Se você pesa 70kg, a mochila deve pesar 7kg.

O caminho é também um momento de desapego, de aprendizado é bom estar aberto ao que ele lhe oferecer. Além disso à medida que caminhamos parece que o peso inicial aumenta.

Quando comecei o caminho de Santiago minha mochila pesava cerca de 11kg. Sofri um pouco, mas foi bom porque comecei a desapegar. Ao final, minha mochila pesava cerca de 6kg.

O checklist: o que levar para o Caminho de Santiago

Basicamente eu investiria em um bom par de botas, uma mochila de 45l no máximo, uma jaqueta de duas estações e um saco de dormir, caso você vá ficar nos albergues. Nessa ordem.

Abaixo segue uma lista dos itens que cobre o básico necessário para a sua jornada. Não é necessário levar todos, use a listagem abaixo como um ponto de partida para você montar a sua própria lista do que levar para o Caminho de Santiago.

  • Calçados – Um par de botas ou de tênis que sejam confortáveis e de uma qualidade aceitável para aguentar todo o percurso.
  • Sandálias – Uma par de sandálias é importante para quando você chegar nos albergues, além disso também são úteis para quando você for tomar banho.
  • Mochila – Juntamente com os calçados essa será a sua companheira. Leve uma de acordo com o seu corpo, com capa contra chuva e com bolsos na parte externa.
  • Saco de dormir – Os pequenos são mais caros, mas valem o investimento. Além de ocuparem menos espaço também pesam menos. Em muitos albergues é exigido que você tenha saco de dormir, mesmo que não exijam é uma boa você dormir nele por uma
  • Uma jaqueta – Escolha uma de acordo com a época do ano, preferencialmente impermeável. As chuvas podem acontecer tanto no verão quanto no inverno
  • Tolha de banho – Na maioria dos albergues eles não disponibizam toalhas de banho, portanto leve a sua. Há algumas pequenas que absorvem mais a água e secam mais rápido.
  • Sacos de lixo – As chuvas são comuns e uma boa maneira de manter as suas coisa secas dentro da mochila é coloca-las dentro de um saco de lixo, mesmo que você use uma mochila impermeável e com capa de chuva.
  • Itens básicos de higiene – Não esqueça de incluir sua escova de dentes, creme dental, sabonete, desodorante e outros itens de sua preferência.
  • Roupas – Claro você vai precisar de roupas, mas não muitas. Umas duas mudas de roupas para o dia e uma para a noite será o suficiente.
  • Bloco de anotações e caneta – Se você não tem o costume de escrever em diários, é um bom momento para começar
  • Garrafinha de água – Leve uma ou duas garrafas de água de 500ml e vá abastecendo nas fontes ao longo do caminho.
  • Primeiros Socorros – É interessante ter na mochila algum remédio para dores muscular, para febre e pomadas para dores no corpo. Para as bolhas é recomendável levar linhas e agulha.

Estas são algumas dicas do que levar para o Caminho de Santiago, se quiser saber mais sobre as escolhas de calçados, casaco, mochila e saco de dormir indico o post mais dicas do que levar para o Caminho de Santiago. Se precisar de ajuda extra ou outra dúvida sobre o caminho, não seja tímido, entre em contato, ficarei feliz em ajudá-lo.

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Desafio: 30 dias de documentários

Eu adoro seriados. Se não há nada para fazer, sou capaz de ficar 12, 14 horas assistindo a seriados. Pra ser sincero, mesmo quando tenho o que fazer, eu fico um bom tempo diante da tela.

Desafio 30 documentários em um mês
Mario Calvo

Nem sempre se trata de bons seriados, às vezes, fico lá até o final (Supernatural depois da 4ª temporada). Eu admito, sou um viciado em seriados, mas nem sempre foi assim. Antes eu era viciado em livros, depois filmes.

Um vício é um vício e a gente precisa parar.

Por que parar de assistir seriados?

Houve um tempo em que eu assistia mais documentários, lia mais livros, assistia bons filmes, mas de repente, comecei a mudar. Primeiro com filmes onde não precisasse pensar, depois com seriados que não precisasse pensar e de repente eu só estava consumindo um monte de seriados, sem mesmo saber o porquê. Apenas porque eu não queria pensar.

E com uma industria que produz tanto é natural que tenha muita porcaria por aí.

No meu caso, o problema é que eu já não sinto a emoção daquela porrada que um bom livro nos faz sentir ou como uma boa história muda nossa percepção. Lembram de Matrix?
Mas isso já faz tempo.

As histórias que eu estava consumindo já não conseguiam mais fazer isso. Eu precisava de algo novo. Queria sentir novamente aquilo que os gregos chamavam de catarse (uma purificação, uma identificação com a história ou personagem).

A minha droga já não fazia mais efeito. Eu precisava de algo mais forte.

A solução

Não quero parar de assistir documentários, mas eu preciso de um desintoxicação. A verdade é que ando me sentindo cada vez mais burro. E para mim é burrice quando deixo de fazer uma coisa para assistir um episódio de algo que não agrega valor algum para a minha vida algo esta errado.

A minha ideia fantástica é apenas uma tentativa de ver outras narrativas, de novas perspectivas. E um desafio de 30 documentários, em 30 dias parece-me uma caminho para descobrir um novo olhar. E, desintoxicar de muitos seriados.

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Por que criei esse blog?

Des-con-for-to. Desconforto é a primeira palavra que vem a minha mente para explicar por que criei esse blog. É a faísca de uma chama.

É um desconforto de ver tanta coisa errada, de achar que o mundo não é o lugar que eu gostaria que fosse. É também, de não achar o meu lugar. É um desconforto de estar vivo, de ver tanta dor no outro e de sentir tanta dor; é de pensar tanto e de se achar tão impotente em relação a tudo.

É um desconforto de escrever, mas não na escrita, não no ato da palavra em si. O desconforto no ato da escrita é o de não sentir o sentido do texto vivo. É um desconforto do texto, de vê-lo preso, dentro de um arquivo ou dentro de uma gaveta.

É entender o desconforto de ser preso. E esse desconforto de sentir-se preso, prisioneiro eu entendo. Acho que de alguma maneira todos nós entendemos.

O peso que carregamos

James Forbes

O ser humano tem esse conjunto de valores que foram forjados ao longo dos anos, juntamente com uma quantidade de medos e preconceitos. Vamos adquirindo e guardando tudo dentro de uma mochila.

À medida que os anos passam, colocamos mais medos, preconceitos e valores dentro desta mochila. Até que ela começa a pesar. Porém, continuamos a enche-la e acreditamos que as coisas que guardamos são verdades imutáveis.

Tantas verdades que pesam. E daí vem o desconforto, mas continuamos. Continuamos até que o peso é tanto que não conseguimos mais andar. Ao invés de largamos o peso e continuarmos, a maioria de nós apenas para.

Interrompemos a nossa jornada e ficamos a beira da estrada de nossas vidas, estagnados. De repente, estamos presos aos nossos valores, aos nossos medos e preconceitos. As nossas verdades guardadas em uma mochila se transformam em nossa própria prisão.

Uma prisão que nos impede de ver um mundo diferente, de apreciá-lo. De ver sentido nas coisas novamente. Já não é possível ver a maravilha do mundo, sentir o vento, os cheiros, odores. Saborear a fruta fresca. De dar risadas com nossos amigos.

Mas há um temor maior do que aqueles que guardamos em nossa mochila, é o medo de abri-la e soltar nossos medos, rever nossos preconceitos e valores.

Voltando a ser leve

reflexão
Josh Adamski

Para nos vermos livre disso tudo precisamos em algum momento abrir essa mochila. Precisamos rever essas verdades, precisamos esvaziar-se das coisas que já não são mais importantes.

Cada um precisa encontrar o seu próprio caminho para tornar-se leve e livre novamente. O meu ato de abrir essa mochila começa pelo ato da escrita.

Escrever pode ser um processo doloroso, temeroso, agonizante. No entanto, para mim, é também essencial e libertador. É por meio dele que busco essa liberdade. É o meu caminho de encarar esses valores, esses medos e preconceitos que estão dentro de mim. Preciso esvaziar-me de tudo isso para continuar.

Mas não se trata de um busca para curar-me desse desconforto. É uma busca sim, mas para entendê-lo para lhe dar sentido. É uma busca para dar sentido as coisas.

Simplesmente, uma busca pelo sentido.

Dos textos deste blog

por que criei esse blog
rawpixel.com

Como trilhar esse caminho, como construir os textos ou selecioná-los para que tenham vida? Não sei. Nem sei se é só de desconforto e sentido, talvez se trate de esperança. A única certeza é que tenho muitas dúvidas e muitas coisas que preciso dar sentido a elas.

Por isso não me prendo a certezas. E sinto-me confiante na dúvida ao lembrar das palavras de Caio Fernando Abreu:

“Eu simplesmente não sabia ao certo o que queria dizer ou contar. Para saber, foi preciso aceitar escrevê-lo, meio às cegas, correndo todos os riscos”

Para buscar o sentido, preciso também correr alguns riscos, preciso abrir essa mochila, compartilhar essas ideias e esperar que elas encontrem conforto ou desconforto na leitura de alguém.

Talvez, tenha sido o desconforto que me trouxe aqui, mas espero que seja a esperança que me faça continuar. A esperança de um dia olhar para o mundo e ver as coisas fazerem sentido. Poder caminhar pelas ruas e não sentir culpado porque a criança que pede dinheiro não está mais lá. Esta na escola ou brincando com outras crianças.

Não tenho a pretensão de conseguir mudar o mundo sozinho, nem mesmo acho que teria alguma ideia por onde começar, mas tenho a esperança que o mundo mude e espero encontrar um meio para contribuir com essa mudança.

Talvez seja por meio da escrita. Afinal, acredito nessa força que o texto tem, desse poder mágico, que se inicia quando alguém escreve, mas só se consolida quando alguém lê.

Foi com o desconforto que comecei a escrever esse texto para explicar por que criei esse blog, mas isso foi apenas uma faísca que talvez ganhe força e cresça. E é com a esperança de ver essa faísca se transformar em chama viva que finalizo.

 

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Sete dicas aprendidas sobre escrever no NaNoWriMo

50.268.6260. Sabe o que é isso? É a quantidade de palavras escritas desde o dia 1˚ de novembro, no NaNoWriMo.

O NaNoWriMo é aquele projeto, do qual falei no post anterior, que desafia escritores e aspirantes pelo mundo a fora a escreverem 50.000 palavras em um mês.

Ontem, completou uma semana de escritas. Das palavras escritas, 9.252 são a minha contribuição até para o projeto. 1.662 duas palavras a menos do que eu deveria ter feito.

Talvez eu devesse estar frustrado ou triste com o meu rendimento, mas não estou. É justamente o contrário: em meio ao processo de criação, as ideias surgem a todo momento e a cada dia sinto-me mais envolvido e motivado com a escrita.

Além da motivação, tenho aprendido e posto em prática algumas coisas sobre o hábito de escrever, os quais tem feito a diferença para mim. Quero compartilhar Sete dicas sobre o processo de escrita NaNoWriMo que tem facilitado a minha vida.

1) Saber o que escreve é importante, mas não é vital

Gosto da ideia de ter um plano antes de começar a escrever, mas se você não tem e realmente quer escrever, escreva. A experiência vai lhe mostrar como melhorar a sua ideia.

Quando comecei a escrever no NaNoWriMo, eu tinha apenas uma vaga ideia sobre a minha personagem e sobre o romance. A partir do momento em que comecei a escrever, começo a ter novas ideias e novas perspectivas sobre o enredo. No meu caso, a ideia original já virou uma ideia para um segundo livro, uma sequência.

2) Escrita diária

Escreva diariamente. Não sei quantas vezes já li isso em blogs sobre a arte de escrever ou livros sobre o tema. E saber por que todo mundo fala isso? Por que funciona.

No NaNoWriMo, a sugestão é que você faça atualização diária sobre a quantidade de palavras escritas. E, isso faz com que você tenha que escrever todos os dias. Escrever todo dia faz toda a diferença no processo.

E um aviso, se você é daqueles que precisam de inspiração para escrever, quero lembrar-lhes as palavras ditas por Charles Watson, a inspiração vem do trabalho.

A inspiração vem do trabalho

Escrever diariamente lhe deixa cada vez mais motivado, mais inspiradao para escrever mais e melhor.

3) O tempo para escrever

Se a ideia é escrever diariamente, logo você percebe que precisa de um tempo no seu dia para essa tarefa.

Assim como você tem um tempo dedicado para o trabalho ou para os estudos. É bom pensar na escrita como um trabalho: você precisa reservar um tempo para produzir.

Percebi que para mim o ideal é ter dois tempos de 40 minutos para conseguir produzir a quantidade de palavras necessárias para chegar ao número de 50.000 no final do mês. Cabe a você decidir a quantidade de horas que rende mais.

4) Horário para escrever

Esse terceiro tópico, é mais ou menos uma mistura dos dois primeiros. É que mesmo escrevendo diariamente e reservando um tempo por dia, percebi que se eu não estabelecesse uma rotina, com horário fixos para escrever, não alcançarei o objetivo.

Eu sugiro ter um horário para escrever, pois desta maneira você evita a procrastinação. Nesse horário eu sento e escrevo. Não faço mais nada.

Com um horário reservado você sabe que tem que escrever naquela hora, do contrário você não atingirá a sua meta diária. E isso lhe deixaria cada vez mais longe dos seus objetivos.

5) A meta

Vocês devem ter percebido que falo muito em um objetivo e meta. Talvez seja isso que faz toda a diferença no processo do NaNoWriMo.

Ter a consciência e o comprometimento que precisa entregar 50.000 palavras coerentes em uma história em 30 dias faz toda a diferença.

No meu caso, ajuda também estabelecer metas diárias e continuar escrevendo. E mesmo que não atinja um dia, sei o quanto precisarei me esforçar nos próximos para que consiga chegar na meta.

É a meta também a responsável por lhe manter motivado e focado no seu objetivo.

6) Senso de comunidade

Eu acesso o site todos os dias e tento, sempre que posso, olhar os fóruns. Lá eu posso interagir com outros participantes. E ler a alegria de alguns que estão escrevendo bastante, faz com que eu queira escrever e me esforçar cada vez mais. Isso é contagiante.

Não se trata de uma competição, o único adversário de verdade é você. É você que diariamente se esforçará para escrever melhor, talvez escrever mais; lutar conta a procrastinação, contra a falta de inspiração. É você lutando para mudar o seus hábitos e caminhar em direção ao seu sonho de ser escritor.

No NaNoWriMo, você não esta sozinho. Assim como você há milhares de outras pessoas que sonham em escrever cada vez mais e melhor. E lá tudo parece possível, pois além da prática há a “energia” dos outros participantes.

E aí, ficou interessado? Está pensando em participar? Ainda dá tempo para encarar esse desafio, vá no site do NaNoWriMo, faça sua inscrição e comece agora mesmo.