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Da ansiedade de uma viagem

Viajar é algo transformador e renovador. No meu caso, basta sentir a atmosfera da rodoviária, do aeroporto, do porto ou da estrada para me sentir melhor.

Talvez, a tranquilidade de estar na estrada (viajando), só se compara com a ansiedade que sinto semanas antes de viajar.

Muito dessa ansiedade não vem da viagem em si, mas de um medo. Um medo muito grande. Um medo que carrego da pior viagem que fiz.

Há pouco mais de 10 anos, eu havia planejado um intercâmbio para o Canadá. Havia me programado, havia me preparado: férias agendadas, passagem comprada, contrato com a escola, hospedagem. Estava tudo certinho. Mas de repente… tudo foi por água abaixo, quando recebi a informação que o consolado canadense havia negado o meu visto.

O meu chão caiu. É tão triste ver um sonho se desmoronando, sem que você possa fazer nada para evitar.

Anos depois lendo um livro do Amyr Klink, consegui entender melhor o que tinha acontecido. Em determinado momento do livro, ele diz que a pior coisa que pode acontecer em uma viagem é que ela não aconteça.

Canadá foi a pior viagem que tive porque eu não viajei. A ansiedade que vivencio em viagens, vem desse medo que ainda não me recuperei. Não me preocupa, se algo não der certo durante a viagem. Anseio por não conseguir partir.

Algo sempre dá errado e tudo bem. Muitas das minhas melhores lembranças em viagens foi porque algo, aparentemente, não deu certo. Ou, pelo menos, não aconteceu como eu havia planejado. Mas isso faz parte.

O que ainda não consigo lidar é com essa tensão pré-viagem. As últimas semanas, foram vividas com esse misto de ansiedade e medo, correria no trabalho e muitos compromissos. Sabia que não ia dar conta, mas priorizei o mais importante. Mesmo assim, aquela sensação desagradável não desaparecia.

Neste momento, escrevo de dentro do avião e toda a tensão, ansiedade, medo das últimas semanas se esvainecem conforme o avião corta os céus. Não lido bem com as semanas que antecedem uma viagem, porém no momento em percebo que estou na viagem, no movimento, os medos desaparecem porque entendo que, de alguma maneira, estou no meu habitat natural.

É não canso de dizer que viajar, estar na estrada é tão bom, gratificante. E como escrevi no início: transformador e renovador.

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Morro do Canal: como foi a minha primeira escalada?

Quando começamos aquela conversa eu não sabia que iríamos ao Morro do Canal, mas fui. A conversa foi mais ou menos assim:

J: Tô combinando nossa caminhada pra segunda dia 20.
J: Beleza?
J: É escalada na real?
Eu: Escalada?
Eu: Nunca escalei
J: Escalarás.
Eu: Etcha
J: É pra iniciantes. Também não tenho experiência nenhuma.

Depois de um tempo…

J: Tu tem seguro de vida?

Estava decidido que eu escalaria, mas não perguntei nem quando nem onde. Sabia que era próximo a Curitiba e isso me bastou.

No dia anterior ao da escalada, a previsão era de chuva para o dia seguinte em Curitiba, mas dizem que sempre chove por lá.

Logo depois de olhar a previsão do tempo, quis saber mais sobre o local para onde estava indo. Eu sempre gosto de saber para onde estou indo, planejar o que levar e como ir, mas para esse passeio eu preferia ir um pouco no escuro, mas os instintos falaram mais alto e acabei por questionar a J. para saber onde iríamos.

Destino: Morro do Canal

Morro do Canal 6
Créditos: Carlos Carreiro

O nosso destino era o Morro do Canal, cerca de 35 km de Curitiba, no município de Piraquara. O morro tem uma altitude de 1.359 metros. O percurso é considerado fácil e leva-se em media 1 hora e 30 minutos.

Segundo o Rumos, o Morro do Canal é a primeira montanha da Serra do Marumbi da qual faz parte o Pico do Marumbi e o Morro do Vigia entre outros. 

Partindo para o nosso destino

A ideia era sairmos por volta dàs 8h da rodoviária, chegarmos por volta das 9h e realizar o percurso em duas horas. Embora a previsão fosse de chuva, só começaria realmente a chover a partir do meio-dia, então se não atrasássemos, tudo daria certo.

Saímos as 8:05. Cinco minutos atrasados se você for britânico, para nós estávamos no horário.

Conhecia apenas a J., que era a minha amiga dos tempos da faculdade, os demais eu conheci pouco antes de entrar no carro. Descobri que os outros integrantes da nossa aventura já tinham experiências anteriores com escalada, menos a J. e eu. Tudo bem, sempre tem a primeira vez, só esperava que a nossa não fosse dolorida.

Lembro que ao entrar no carro, escutei uma trilha sonora que me trouxe a sensação de que estava no lugar certo. Não lembro da música, apenas da sensação. Talvez minha memória afetiva seja mais forte que minha memória musical.

O plano era irmos em dois carros. Quer dizer, irmos em um carro e dividir o táxi do outro. Cancelamos o táxi, pois uma das pessoas que iria conosco desistiu.

A viagem foi rápida até chegarmos próximo ao pedágio e fazer o retorno. Cerca de 20 minutos. Acreditávamos que já estávamos lá, mas daí levou mais uns 25 minutos que nos pareceram duas horas, devido à estrada de chão de terra vermelha, os campos, as voltas, a terra vermelha, mais campo e mais voltas.

Enquanto não chegávamos só imaginávamos se tivéssemos em dois carros. O que imaginávamos mesmo era a cara do taxista andando tudo aquilo. Acho que ele nos deixaria próximo ao pedágio e voltaria para Curitiba.

Esse pensamento coletivo gerou uma afinidade no grupo. E penso que nada melhor do que algo em comum para nos integrarmos.

Já riamos bastante e nem tínhamos chegado ao local.

Escalando o Morro do Canal

Morro do Canal 11
Créditos: Carlos Carreiro

O pé do morro ou o começo da trilha fica no Sítio Rocha ou apenas chácara do Seu Zezinho. E foi de lá que começamos.

Iniciamos a escalada (ou trilha) com cuidado. Aliás, comecei com muito cuidado. Tinha chovido na noite anterior, o chão estava molhado e o meu calçado parecia que ia escorregar a qualquer momento. Lamentei não ter um calçado mais adequado, mas segui em frente.

O início é muito fácil. Além de não ter grandes desafios, o terreno é composto por trilha de terra e com uma vegetação aberta.

O tempo não estava quente e tampouco frio, o que ajudava a manter a temperatura do corpo e facilitar a subida. O problema era que estava nublado e com forte serração. Péssimo para ter uma vista completa.

Uma caverna no meio do caminho

Em determinado momento, escolhemos o caminho da esquerda ao invés do da direita e voilá, nos perdemos. Sim, conseguimos nos perder em uma trilha muito simples, mas muito simples. Assim que a mata começou a ficar mais fechada, percebemos o erro. Não fazia sentido uma mata tão fechado em uma trilha tão comum.

Enquanto algumas pessoas voltavam, tentei subir algumas pedras, logo identifiquei uma formação de pedras. Quando gritava para o grupo, percebi que meus companheiros já estavam se aproximando por um caminho muito mais fácil. Eu ri por ter escolhido o caminho errado.

A formação das pedras com luzes que formam uma espécie de caverna era muito bonita. Paramos e registramos o momento. Pensei que, talvez, se tivéssemos seguido a trilha, não teríamos percebido aquele lugar.

Depois das fotos, seguimos e foi quando nos deparamos com os primeiros ganchos e depois correntes.

Adiante e arriba

A subida é, como dizem em outros locais, de nível médio, com o cuidado adequado não há perigo algum; com a falta de prudência é muito fácil se machucar.

Foi um pouco depois da metade do caminho que senti que enfrentei a minha maior dificuldade: o gancho para eu pegar estava um pouco distante e me deixava sem ter segurança para pegar nada. Acho que foi nesse ponto que a Mari do Finestrino (Finestrino Aventura: Morro do Canal) parou.

Eu quase desisti também, voltei um pouco e fui por um lado oposto aos demais. É como acontece na vida, nem sempre o caminho trilhado por outros lhe serve. Preferi mudar do que acabar com o passeio dos outros e ter problemas físicos.

Tirando esse momento, seguimos a diante, sem problemas. Não corremos e sempre parávamos um pouco para apreciar a paisagem ou tentar. O tempo estava completamente coberto. Em um dia de sol a vista deve ser magnifica.

Chegamos ao tempos topo em cerca de uns 40 minutos, muito antes do que prevíamos. Mais fotos e a melhor parte: comida. A vista era bonita, mas devido ao tempo fechado não conseguimos fotos tão bonitas quanto o lugar pode oferecer.

Comemos, conversamos e assistíamos a chegada de outros grupos. Uma turma de crianças entre os seu 8 e 11 anos, talvez menos, também chegavam. Meninos e meninas com o peito estufado, mostrando todo o poder de ter ‘conquistado’ a montanha.

Depois de mais fotos e conversas, resolvemos descer.

Morro do Canal 2
Créditos: Carlos Carreiro

Descendo

A descida para mim foi muito mais tranquila, quase não usei os ganchos ou as correntes, descia alguns pontos em pé, de lado mesmo, para me segurar usava os troncos das árvores. Achei que para mim isso funcionava melhor.

Parávamos também. Dessa vez, para apreciar a vista. O tempo começara a abrir e entendemos por que esse é um ponto a ser visitado. Consegue-se ter uma boa visão de um pedacinho da mata atlântica.

Completamos o trajeto em 1 hora e 40 minutos e nada de chuva.

Alguém já escreveu que o problema de fazer uma escalada é que esse troço vicia.

Lembrei disso quando, ao pé da montanha, manifestei a vontade de conhecer os outros morros da Serra do Marumbi, mas essa fica para próxima.

Recomendações de leitura:

  • A Mari do Finestrino relata sua experiência com o Morro do Canal com boas dicas e um ótimo humor.
  • Para dicas de como chegar recomendo o texto do Márcio Trindade, do Trilhas e Aventuras.
  • Para informações técnicas sobre altitude, formação e localização sugiro o site da Rumos
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Caminho de Santiago – Rotas alternativas

Você sabia que existe mais de um Caminho de Santiago? Pois é, isso mesmo. Quando falamos sobre o caminho  em geral pensamos que exista só um. No entanto, há mais de uma rota.

Os pontos de partidas referem-se as rotas conhecidas, mas não é necessário iniciar em determinada cidade. O Caminho de Santiago é como quebra-cabeças, no qual você pode construir o seu próprio percurso, na cidade sua preferência.

Como mencionei em outro texto sobre o Caminho de Santiago, a única regra para obter o certificado de conclusão do caminho é percorrer no mínimo 100km a pé ou 200 de bicicleta.

Os percursos a seguir são conhecidos como oficiai. Todos eles contam com uma infra-estrutura para o peregrino. Alguns mais outro menos. Eles server como ponto de partida para você planejar e escolher o seu caminho.

Caminho de Santiago ou Caminho Francês

Caminho de Santiago Frances

O Caminho Francês é o mais conhecido. Geralmente quando se fala sobre o Caminho de Santiago estamos dele. Essa rota tem início em Saint Jean Pied de Port, na França e termina na cidade de Santiago, na Espanha.

Resumo do caminho Francês

  • Distância: aproximadamente 800 quilômetros
  • Cidade de início: Saint Jean Pied de Port, na França
  • Cidade de término: Santiago, na Espanha
  • Duração: Em geral leva-se 30 dias para percorrer o percurso. A duração pode variar de pessoa e depende de condicionamento físico, tempo, por exemplo.

Caminho do Norte

Um outro caminho popular é o Caminho do Norte. É chamado assim por ser feito ao norte seguindo a costa da Espanha. O seu ponto de partida oficial é em Irú, na Espanha.

Há peregrinos que começam no lado francês, na cidade de Hendaye, ao lado de Irú.

Partindo de Irú(Espanha) ou Hendaye (França)

  • Distância: 600 quilomêtros
  • Duração: Aproximadamente 25 dias

Caminho Primitivo

Outra rota conhecida pelos peregrinos é o Caminho Primitivo. Essa rota tem início em Oviedo na Espanha. Alguns peregrinos fazem uma combinação com esta rota e a rota do norte. Dessa maneira partem de Irún, até chegarem a Oviedo e daí segue essa segunda.

Partindo de Oviedo

  • Distância: 320 quilômetros
  • Duração: Entre 10 e 14 dias.

Caminho Português

Caminho de Santiago Português

Há guias que citam dois caminhos Português, isso de deve a origem de sua saída. O ponto de partida pode ser feito em Lisboa ou em Porto, mas nada impede que você comece em outra cidade como já foi dito.

Uma terceira alternativa ao Caminho Português é partir da cidade de Tui, na Espanha. Confira as distâncias abaixo e a duração abaixo:

Partindo de Lisboa (Portugal)

  • Distância: 600 quilomêtros
  • Duração: Aproximadamente 25 dias

Partindo do Porto (Portugal)

  • Distância: 230 quilomêtros
  • Duração: Entre 7 e 10 dias

Partindo de Tuí (Espanha)

  • Distância: 120 quilomêtros
  • Duração: Aproximadamente 6 dias

Caminho de Finisterra

Essa rota não é propriamente um caminho para Santiago, mas sim uma continuação. Isso por que muitos peregrinos ao chegarem em Santiago, continua a caminha até a cidade de Finisterra, também conhecido com fim do mundo.

O nome de deve a origem latina da palavra Finisterra. Fim da terra.

Partindo de Santiago (Espanha)

  • Distância: 90 quilomêtros
  • Duração: Entre 3 e 4 dias

Esses são algumas da rotas do Caminho de Santiago, mas não as únicas. Há também o Caminho Aragonês, a Rota da Prata (partindo de Sevilha, na Espanha) entre outras. Este é um artigo beta. Em breve, espero complementá-lo com as rotas restantes.

Se dúvidas sobre o que levar, leia o que levar para o Caminho de Santiago ou entre em contato.

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Mais dicas do que levar para o Caminho de Santiago

Em um outro post escrevi sobre o que levar para o Caminho de Santiago. Este texto é uma continuação dele, com dicas para escolher o seu equipamento.  O que vai encontrar aqui são dicas que dizem respeito a alguns itens específicos e algumas dicas no momento da escolha. O texto esta dividido nas seguintes partes:

  • Dicas para escolha dos calçados
  • Dicas sobre a mochila ideal
  • Dicas para escolha do casaco
  • Dicas para o saco de dormir

A escolha dos calçados

Dicas de calçados para o Caminho de Santiago
Andrew Neel

Uma das frequentes preocupações de quem decidiu fazer o Caminho de Santiago é saber com que calçado ir. Não há um tipo em específico. É possível percorrer a jornada de tênis, bota ou sandalhas.

Mas independente do tipo de calçado que for de sua preferência, escolha um bom par de calçados para caminhar você. O melhor calçado não significa o mais caro, mas sim aquele no qual terá conforto ao andar.

Encare a escolha do calçado como um item de segurança e de saúde para os seus pés. Um calçado de qualidade diminui as chances de ter bolhas, torções e calos. Lembre-se que ele será o seu meio de transporte durante a jornada.

Se o calçado for novo, prepare-o bem antes de ir. Faça algumas caminhadas com eles para você se acostumar e para vocês se prepararem a andar juntos.

Embora, tenha muitos blogs e fóruns que aconselhem usar botas para o percurso essa não é a regra. O caminho não é uma trilha. Tem gente que percorreu os 800km do Caminho de Santiago com tênis numa boa. Inclusive pessoas que trocaram as botas por tênis, por acharem mais confortáveis no meio da jornada.

Eu percorri com uma bota. Foi uma decisão pessoal, pois eu queria um calçado com um cano médio que protegesse os calcanhares e evitasse torções. Tive uma boa experiência com elas e não me arrependo, mas talvez hoje procuraria um modelo com um melhor amortecimento.

Um fator a se considerar antes de escolher o calçado é saber em que época do ano será feito o caminho. No inverno, é mais recomendável ir com calçados fechados, já no verão a preferência é por calçados que permitam os pés “respirarem” melhor para evitar bolhas e fungos.

Outro ponto de atenção é sobre o tamanho. Há quem diga que é melhor comprar um número maior. Eu não recomendo, pois isso pode ocasionar uma torção dependendo do caminho. O calçado deve estar confortável, nem justo(apertado) nem largo demais. Os pés podem inchar um pouco sim, mas não compre um número maior. A dica é que os dedos não fiquem colados no bico do calçado.

Ah, coloque também na mochila um par de sandálias ou chinelos para quando você chegar nos albergues. Você vai deixar os seus companheiros (os calçados) descansando enquanto e você também descansa. Leve sandálias ou chinelos em que possa tomar o banho come eles, assim também evita de o contato direto com o piso e com possíveis fungos.

Em relação as bolhas, Uma dica para evita-las é usar meias de lã. Se não tiver use duas meias uma fina e outra grossa. Fiz uso das duas técnicas e pra mim deu muito certo. Só o primeiro dia tive bolha e foi por que fique mais de 12h na chuva.

Dicas para escolha da Mochila

Dicas para escolha da Mochila
Lukas Robertson

Para ter o que levar para o caminho de Santiago você vai precisar de uma mochila. Uma que de conta do recado. Não precisa ser um mochila alemã toda sofisticada, mas se quiser vá em frente.

A minha mochila não saiu cara. Acho que era um dos modelos mais baratos que tinha. Para mim é o tamanho quase ideal, 45l. Eu queria um pouco menor, mas ela deu conta do recado. Fiquei 3 meses com ela, sendo toda a minha casa. Além de colocar tudo o que eu precisava, também podia leva-la como bagagem de mão.

Na hora de procurar por uma mochila para viajar, busco uma que atenda a alguns critérios:

  • Uma mochila precisar ter bolsos externos, no mínimo dois. Há coisas que quero ter um fácil acesso como dinheiro, mapa, água ou a máquina fotográfica. Ter bolsos externos facilitando muito o acesso a esses itens.
  • A mochila precisa ser confortável. Experimentar antes de comprar é algo que faço. Eu preciso me sentir confortável ao caminhar com ela. ela antes, encontre uma que combine com você, com as tuas costas.
  • Algo que também ajuda muito no conforto e na divisão do peso são aquelas tiras para para prender no peito e na barriga. Parece besteira, mas essas tiras realmente fazem diferença. Preste atenção no material, para ver se são resistentes para evitar que estraguem com facilidade.
  • Um outro item que busco em uma mochila é uma capa externa para dias chuvosos. Se o material for impermeável melhor. O que menos quero depois de um dia de chuva, é perceber que todas as minhas roupas estão molhadas.

A jaqueta certa para a ocasião certa

dicas-para-escolha-jaqueta
Daniel Bowman

A grossura do casaco/jaqueta vai depender da época do ano e das temperaturas que você vai enfrentar. O que tenho feito é usar uma jaqueta de duas estações. Uma que possa te proteger de vento e do frio ou das chuvas.

Uma das minhas primeiras jaquetas era em camadas. A externa fazia justamente o trabalho de proteger da chuva e do vento. Enquanto, que internamente ela tinha uma outra camada para o frio. Quando a grana esta curta, procuro uma que possa me proteger contra o vendo e para me proteger do frio, uso uma segunda pele por dentro.

Há muitas jaquetas. As marcas que vem a minha mente são as da Patagonia, Columbia e da North Face. Mas não posso dizer nada sobre a qualidade, pois nunca usei nenhum desses modelos. E ir em uma loja para experimenta-las é fundamental.

Cuido muito a questão do tamanho, pois talvez tenha que levar na mochila. E a ideia de ter uma roupa que ocupa metade do espaço não me agrada, por isso a ideia de me vestir em camadas me parece interessante. Posso dividir os valores e não sobrecarregar o meu peso e o orçamento.

A dica de bolsos é válida aqui também. Eu gosto da sensação de não precisar carregar nada na mão. Quanto mais bolsos tiver melhor.

Dicas Saco de dormir

O saco de dormir ideal
Ivana Cajina

Até onde me lembro, o saco de dormir em muitos albergues ao longo do Caminha de Santiago é obrigatório. Em muitos deles, não há então essa é a sua roupa de cama. Além de te proteger do frio ele também é mais higiênico.

Há duas coisas importantes para observar na hora de adquirir um saco de dormir: a proteção contra o frio e o peso.

Os modelos menores custarão um pouco mais caro, mas em compensação serão mais leves. E menos meso em sua caminhada lhe permitirá mais conforto para apreciar as paisagens e sua jornada.

A época do ano novamente influencia. Há sacos de dormir que lhe protegem do frio inclusive a temperaturas negativas. O saco de dormir é um item que não tem como testar, a menos que você tenha um amigo que possa lhe emprestar. Mesmo assim, é uma boa ir até uma loja especializada e olhar os modelos de perto.

Antes de comprar

Considere esses pontos e pesquise em sites, converse com vendedores e outras pessoas que fizeram o caminho. Se possível, vá até uma loja para experimentar diferentes modelos antes de tomar a decisão. Há uma variedade enorme de marcas e modelos de diferentes, de diferentes preços.

Lembre-se que preço e marcas não necessariamente qualidade. Há marcas famosas que machucam os pés e tem uns menos conhecidos e mais baratos que dão conta do recado. O segredo é escolher aquele em você sinta o conforto e tenha a ver com seu estilo.

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O que levar para o caminho de Santiago?

O que levar para o Caminho de Santiago? Foi a pergunta que uma amiga me fez há algumas semanas. Essa é uma questão recorrente quando estamos planejando a nossa jornada pelo caminho. Neste post reuni algumas dicas para lhe ajudar nesse processo.

A escolha do que levar para o Caminho de Santiago é totalmente pessoal, influenciada pelo seu estilo e outros fatores. Alguns deles como percurso escolhido, tempo disponível e a época do ano serão tratados mais adiante.

Para começar, se tivesse que dar apenas uma dica para você montar a sua mochila seria esta: leve o menos possível.

As dicas reunidas aqui são baseadas em algumas leituras, mas principalmente em minha experiência. Algumas talvez lhe ajudem, outras não.

Fatores que influenciam a mochila

O percurso

O meu percurso escolhido foi a rota conhecida como o Caminho Francês. É o mais conhecido com uma distância de 800 quilômetros, que começa em em Saint Jean Pied de Port, na França e termina com a chegada em Santiago de Compostela, na França.

A duração do percurso

O duração do percurso depende principalmente de quanto tempo disponível você tem. Eu fiz a caminhada em 30 dias, mas poderia ter feito em menos dias ou mais. Também poderia ter começado em outras cidades com Pamplona, Burgos ou Leon por exemplo. Para receber o certificado de conclusão é necessário ter percorrido no mínimo 100km a pé, mas para desfrutar da experiência não há regras.

Eu tinha a disponibilidade de 30 dias então fiz todo o percurso, mas se você não tem seja flexível. Tente começar em uma cidade mais próxima de Santiago, por exemplo, mas não deixe de viver essa experiência.

A época do ano

Quando fiz o caminho era final de outubro, no meio do outono e foi fantástico. Tinha pouca gente, mas o suficiente para viver ótimos momentos e ainda com a maioria dos albergues ainda estavam abertos. Durante a caminhada tive a sorte de desfrutar de climas diferentes. Peguei muita chuva, dias de frio, inclusive com neve, mas a maioria eram dias com um lindo sol.

O peso da mochila

O levar para o Caminho de Santiago.
Jorge Luis Ojeda Flota

Uma das recomendações é que o peso da sua mochila seja entre 7 e 10kg, a outra é que se leve no máximo 10% do peso de seu corpo. Se você pesa 70kg, a mochila deve pesar 7kg.

O caminho é também um momento de desapego, de aprendizado é bom estar aberto ao que ele lhe oferecer. Além disso à medida que caminhamos parece que o peso inicial aumenta.

Quando comecei o caminho de Santiago minha mochila pesava cerca de 11kg. Sofri um pouco, mas foi bom porque comecei a desapegar. Ao final, minha mochila pesava cerca de 6kg.

O checklist: o que levar para o Caminho de Santiago

Basicamente eu investiria em um bom par de botas, uma mochila de 45l no máximo, uma jaqueta de duas estações e um saco de dormir, caso você vá ficar nos albergues. Nessa ordem.

Abaixo segue uma lista dos itens que cobre o básico necessário para a sua jornada. Não é necessário levar todos, use a listagem abaixo como um ponto de partida para você montar a sua própria lista do que levar para o Caminho de Santiago.

  • Calçados – Um par de botas ou de tênis que sejam confortáveis e de uma qualidade aceitável para aguentar todo o percurso.
  • Sandálias – Uma par de sandálias é importante para quando você chegar nos albergues, além disso também são úteis para quando você for tomar banho.
  • Mochila – Juntamente com os calçados essa será a sua companheira. Leve uma de acordo com o seu corpo, com capa contra chuva e com bolsos na parte externa.
  • Saco de dormir – Os pequenos são mais caros, mas valem o investimento. Além de ocuparem menos espaço também pesam menos. Em muitos albergues é exigido que você tenha saco de dormir, mesmo que não exijam é uma boa você dormir nele por uma
  • Uma jaqueta – Escolha uma de acordo com a época do ano, preferencialmente impermeável. As chuvas podem acontecer tanto no verão quanto no inverno
  • Tolha de banho – Na maioria dos albergues eles não disponibizam toalhas de banho, portanto leve a sua. Há algumas pequenas que absorvem mais a água e secam mais rápido.
  • Sacos de lixo – As chuvas são comuns e uma boa maneira de manter as suas coisa secas dentro da mochila é coloca-las dentro de um saco de lixo, mesmo que você use uma mochila impermeável e com capa de chuva.
  • Itens básicos de higiene – Não esqueça de incluir sua escova de dentes, creme dental, sabonete, desodorante e outros itens de sua preferência.
  • Roupas – Claro você vai precisar de roupas, mas não muitas. Umas duas mudas de roupas para o dia e uma para a noite será o suficiente.
  • Bloco de anotações e caneta – Se você não tem o costume de escrever em diários, é um bom momento para começar
  • Garrafinha de água – Leve uma ou duas garrafas de água de 500ml e vá abastecendo nas fontes ao longo do caminho.
  • Primeiros Socorros – É interessante ter na mochila algum remédio para dores muscular, para febre e pomadas para dores no corpo. Para as bolhas é recomendável levar linhas e agulha.

Estas são algumas dicas do que levar para o Caminho de Santiago, se quiser saber mais sobre as escolhas de calçados, casaco, mochila e saco de dormir indico o post mais dicas do que levar para o Caminho de Santiago. Se precisar de ajuda extra ou outra dúvida sobre o caminho, não seja tímido, entre em contato, ficarei feliz em ajudá-lo.