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Da ansiedade de uma viagem

Viajar é algo transformador e renovador. No meu caso, basta sentir a atmosfera da rodoviária, do aeroporto, do porto ou da estrada para me sentir melhor.

Talvez, a tranquilidade de estar na estrada (viajando), só se compara com a ansiedade que sinto semanas antes de viajar.

Muito dessa ansiedade não vem da viagem em si, mas de um medo. Um medo muito grande. Um medo que carrego da pior viagem que fiz.

Há pouco mais de 10 anos, eu havia planejado um intercâmbio para o Canadá. Havia me programado, havia me preparado: férias agendadas, passagem comprada, contrato com a escola, hospedagem. Estava tudo certinho. Mas de repente… tudo foi por água abaixo, quando recebi a informação que o consolado canadense havia negado o meu visto.

O meu chão caiu. É tão triste ver um sonho se desmoronando, sem que você possa fazer nada para evitar.

Anos depois lendo um livro do Amyr Klink, consegui entender melhor o que tinha acontecido. Em determinado momento do livro, ele diz que a pior coisa que pode acontecer em uma viagem é que ela não aconteça.

Canadá foi a pior viagem que tive porque eu não viajei. A ansiedade que vivencio em viagens, vem desse medo que ainda não me recuperei. Não me preocupa, se algo não der certo durante a viagem. Anseio por não conseguir partir.

Algo sempre dá errado e tudo bem. Muitas das minhas melhores lembranças em viagens foi porque algo, aparentemente, não deu certo. Ou, pelo menos, não aconteceu como eu havia planejado. Mas isso faz parte.

O que ainda não consigo lidar é com essa tensão pré-viagem. As últimas semanas, foram vividas com esse misto de ansiedade e medo, correria no trabalho e muitos compromissos. Sabia que não ia dar conta, mas priorizei o mais importante. Mesmo assim, aquela sensação desagradável não desaparecia.

Neste momento, escrevo de dentro do avião e toda a tensão, ansiedade, medo das últimas semanas se esvainecem conforme o avião corta os céus. Não lido bem com as semanas que antecedem uma viagem, porém no momento em percebo que estou na viagem, no movimento, os medos desaparecem porque entendo que, de alguma maneira, estou no meu habitat natural.

É não canso de dizer que viajar, estar na estrada é tão bom, gratificante. E como escrevi no início: transformador e renovador.