(i)

Estou na rua, sentado, enquanto escrevo essas linhas. Sinto a minha pele esquentar à medida que o calor do sol chega em mim. De vez em quando, sinto um vento forte tocar em mim. Escuto ele se afastar e já distante, encontrar as árvores. Ouço atentamente, o balancear das folhas, a força do vento. Respiro profundamente, enquanto aguardo o vento voltar e reiniciar o seu ciclo.

A cabeça dói um pouco.

Estou tranquilo, mas parece que alguma coisa me aborrece. É díficil aceitar que estamos bem. Talvez, seja essa dor de cabeça ou algum outro estresse invisível.

(ii)

Reflito.

Embora, algumas coisas pareçam me aborrecer o que sinto, de fato, é uma espécie de calma e tranquilidade mesmo em meio ao caos.

Não sinto que estou devendo alguma coisa para alguém ou deixando de cumprir um papel que me impus.

Ainda tem louça na pia, roupa para lavar, um livro para ler, um artigo para escrever, outro para revisar; as contas para pagar, o pai para cuidar, mas não sinto a pressão de ter que fazer.

Parece que tudo está em seu lugar. 

(iii)

O vento retorna. Lembro que não tenho que sair correndo para os afazeres. Eu posso respirar primeiro.

De repente, percebo que não sou quem eu gostaria de ser; que a expectativa em mim não é a que eu imaginei. Esse pensamento não me aborrece. Aceito quem sou hoje. Estou feliz e tranquilo, pois de alguma maneira entendo que a jornada recém começou.

Apenas dei o meu primeiro passo.

Daqui a pouco posso cuidar da louça na pia, da roupa suja, do livro esquecido, do trabalho que precisa ser feito, das contas a pagar, da comida do pai, mas não agora.

Agora, eu jogo a cabeça para trás, deixo o sol chegar e o vento me beijar. 

No momento, o melhor que posso fazer para o meu eu do futuro é ficar aqui respirando, sentindo o calor do sol e ouvindo o vento.

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