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Carmen Herrera: The 100 Years Show

O documentário sobre Carmen Herrera apresenta um perfil dessa pioneira artista cubana americana que só fora descoberta tardiamente pela crítica.

Carmen Herrera documentário
DIvulgação: The 100 Years Show

Quando escrevi sobre o documentário do minimalismo não entrei em detalhes sobre a origem do movimento ou de onde veio a ideia. O minimalismo como um estilo de vida ou de valores, não surgiu como um pensamento filosófico, mas sim estético, mais especificamente nas artes plásticas.

As primeiras formas de expressão minimalista surgiram em meados da década de 60 nos EUA. Nas artes plásticas, os principais nomes citados são o Sol LeWitt, Frank Stella, Donald Judd e Robert Smithson.

O filme The 100 Year Show não trata de nenhum desses nomes, mas trata da arte minimalista ou melhor de uma artista minimalista. Uma artista que vivenciou todos esses anos, trabalhando e descobrindo novas formas de expressão, talvez até influenciando outros artista, mas que não é citada nas origens do movimento. É dessa laguna que se faz o documentário sobre Carmen Herrera.

A razão disso é que ela ainda não havia sido descoberta.

O documentário sobre Carmen Herrera apresenta a recente descoberta dessa artista, que na época das filmagens, comemorava os 100 anos de idade (hoje ela esta com 102). Embora tenha se dedicado ao trabalho com artes por toda a sua vida, Carmen Herrera só foi descoberta aos 81 anos, em 2004.

Como Carmen Herrera foi descoberta?

E aconteceu meio que por acaso. Tony Bechara, pintor e amigo de Carmen, estava em um jantar e conversava com Frederico Sève (dono The Latin Collector Gallery), em Manhatan.

Em um da conversa, Frederico compatilhava um problema que enfrentava. Ele estava prestes a lançar uma exibição com três artistas mulheres, latinas e que trabalhassem com formas geométricas. O problema era que uma das artistas havia cancelado na última hora.

Ao ouvir Frederico, Tony foi enfático “eu conheço exatamente a artista que você precisa”. Dessa maneira, os quadros de Carmen foram enviados para avaliação. Quando os viu, Frederico ficou intrigado. Algo especial lhe havia despertado o interesse. Tinha algo maravilhoso ali.

O mundo mudara de uma hora para outra na vida de Carmen. Vendeu o primeiro quadro e o tardio reconhecimento veio afinal.

Uma das razões pela tão longa espera para o reconhecimento é o fato de Carmen ser mulher. O mundo das artes era bem mais machista e preconceituoso quando ela começou.

Carmen Herrera relembra uma vez em que a dona de uma galeria de arte recusara exibir os seus quadros justamente por ela ser mulher. A arte não era um lugar para mulheres. A dominância machista era demasiada, o que impedia que mesmo as mulheres se ajudassem.

Se há dúvidas sobre isso, basta comparar o trabalho de Carmen Herrera com artistas homens do mesmo período. A questão que paira é como ela não tinha sido descoberta antes.

A história de Carmen Herrera é fascinante, mas o mérito de dar vida para ela por meio das imagens é da diretora Alison Klayman.

Alison consegue trazer para a tela histórias do passado, seu casamento, sua descoberta, seu cotidiano em apenas 29 minutos. É um documentário tão minimalista, quanto as obras de Carmen Herrera, onde menos é mais.

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