As ausências nem sempre são apreciadas, mas as vezes são necessárias. Um jeito mais simples de dizer seria o seguinte: às vezes é bom dar um tempo nas coisas.

Tem uma música do Raul Seixas que fala isso de um outro jeito: “Para o mundo que eu quero descer”.

A pandemia nos obrigou a parar, mas acho que a gente não aprendeu ainda.

Em nossas residências, criamos rotinas e de repente, entramos em uma nova correria, da qual não podemos mais nos dar ao luxo de chegar em casa, desligar e descansar.

Descobrimos que ficar em casa acumulando funções é tão cansativo, quanto uma vida corrida no trabalho.

Talvez, a gente comece a olhar diferente para o trabalho doméstico e valorize mais as nossas mães ou pais que nos cuidavam quando éramos pequenos. Um trabalho eterno porque sempre seremos pequenos para eles. Isso é claro se você ainda tiver a sorte de ter eles por perto.

Eu não tenho mais a minha mãe por perto. Essa é uma ausência desnecessária.

Estar ausente, às vezes é simplesmente um jeito de parar. Respirar um pouco, ir para outro lugar, experimentar coisas novas, voltar hábitos antigos. Prestar atenção na folha que cai, nas árvores despidas e fruto que brota. Na vida que acontece.

É preciso estar presente para apreciar a dádiva da vida. É preciso estar presente para apreciar o presente da vida.

Fiquei em dúvida em qual frase escolher, então deixei ambas. Estou cansado e delego a vocês a escolha mais apropriada.

Quando estamos cansados é um bom momento para parar e parar exige da gente, um pouco de ausência. É contraditório, mas para conseguirmos estar presentes, precisamos desses espaços ausentes.

Ficou confuso? Talvez você precise dar um tempo. Desliga a tela e vai para rua caminhar um pouco. Aposto que tem uma vida acontecendo lá fora, basta olhar.

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